Arte no Nazismo: A estética nazista e o conceito de arte degenerada.

As concepções que Hitler possuía sobre estética foram fundamentais para a massificação das ideias nazistas

A arte no Nazismo foi um dos diversos mecanismos que Hitler utilizou para justificar sua ideologia. Da crise econômica resultante do fracasso na primeira guerra, veio a ideia de que somente o modelo adotado por Hitler poderia trazer de volta a prosperidade da nação; do preconceito contra negro, judeus e ciganos veio a teoria do determinismo biológico, e este, foi justificado pelas teorias darwinistas sobre seleção natural; do anti-marxismo veio a sugestão de que o marxismo nada mais era do que um plano judaico para dominar o mundo culturalmente e que, portanto, somente a eliminação da cultura judaica poderia conter o seu avanço.

Mas dentre todas as teorias mirabolantes de Hitler, foi na arte que ele encontrou a maior ferramenta de propaganda do seu regime. Isso porque através da arte ele pôde agrupar todas as demais ideias e transformá-las em propaganda de massa.

Para isso Hitler se utilizou de diversos mecanismos.

Interferências do nazismo na arte

Arquitetura: Hitler tinha paixão pela arquitetura. Suas experiências com a arte durante a juventude lhe fizeram desejar ser um pintor. Em seu livro “Minha Luta” ele escreveu:

 “Meu talento para o desenho, inquestionavelmente, continuava a afirmar-se, e foi até uma das razões por que meu pai me mandou à escola profissional.” (Minha luta)

Ao mesmo tempo que reconhecia ser ele um talentoso arquiteto:

“Só uma coisa me afligia: meu talento para a pintura parecia sobrepujado pelo talento para o desenho, sobretudo no domínio da arquitetura. Ao mesmo tempo, crescia cada vez mais meu interesse pela arte das construções. (…) A antiga teimosia também tinha voltado e com ela a persistência na realização do meu objetivo. Eu queria ser arquiteto. (Idem)

“A arquitetura de Hitler deveria  expressar a grandeza de um regime, de uma época. de um povo, de uma raça; no entanto a arquitetura não viria apenas expressar a unidade e o poder alcançados pela nação: ela poderia criá-los.” Lenharo.1995. P.49

Um exemplo desse desejo de implantar um modelo grego de arquitetura foi  a construção do estádio olímpico. Para Hitler, a arte grega não era só uma questão de estética, mas de ideologia. Para os artistas nazistas, a arte grega mantivera-se intocada pelas artes “inferiores”, advindas de influências  africanas e das vanguardas europeias, como cubismo e expressionismo. (Ver Alcir Lenharo em O triunfo da vontade. Ed. Ática)

Pintura e literatura: O ideal da arte nazista

Pintura: A grande luta do regime nazista foi impedir o avanço do modernismo. A exposição realizada em 1937, cujo título “arte degenerada” colocou lado a lado obras de pintores modernistas e fotos de pessoas doentes mentais foi o ápice da visão nazista sobre pintura. Artistas como Picasso, Matisse, e Piet Mondrian foram tratadas como aberrações estéticas. Sobre tais obras, o artista nazista Adolf Ziegler afirmou:

“Em torno de nós vê-se o monstruoso fruto da insanidade, imprudência, inépcia e completa degeneração. O que essa exposição oferece inspira horror e aversão em todos nós” (Aventuras na História, Edição 47, julho de 2007, p. 32).

 Literatura: Em 1933, fogueiras se acenderam em toda Alemanha para “purificar” a literatura do país. Escritores como Einstein e Freud foram apenas alguns dos que tiveram suas obras queimadas em praça pública. A opinião pública e as editoras nada fizeram no sentido de questionar o ato, minimizando os fatos como se fossem exageros de universitários.

O uso do cinema e da música no nazismo

Cinema: O marco da arte cinematográfica a favor do nazismo foi o filme “O triunfo da vontade (Triumph des Willens, 1935) dirigido pela cineasta Bertha Helene ( Leni) Amalie Riefenstahl. O filme que retratou o congresso nazista de 1934 de forma magistral, foi uma obra cujo objetivo era impressionar a mente dos jovens a favor do regime. A simetria dos soldados, os discursos de Hitler e os detalhes de tudo o que aconteceu no congresso visava encantar a sociedade sobre o poder do partido nazista e ao mesmo tempo forçar os resistentes a se filiarem ao partido.

Música: Na música, as obras de artistas consagrados como Beethoven e Wagner norteavam a estética musical, enquanto obras de artistas Alemães não arianos, como Mendelson e Mahler não podiam ser tocadas. Músicas que tinham origem americanas como Jazz e swing também foram proibidas.

O  exemplo de como O nazismo se apropriou de objetos culturais legítimos e os transformou em instrumentos de instrução e repressão ideológicas, leva-nos a pensar que esse não seja um caso isolado. É preciso avaliar até que ponto concepções artísticas podem ser instrumentos de doutrinação ideológicas.

1 comentário em “Arte no Nazismo: A estética nazista e o conceito de arte degenerada.”

  1. Pingback: Ditadura Militar – Porque os militares tomaram o poder – História e arte

Deixe um comentário