De Gildelanio Belo
A dama destes versos não musa .
Não é deusa nem me faz sonhar com ela.
Não é pura nem divina, é confusa.
E com isso se compõe inda mais bela.
Não a vejo qual às nuvens ou à lua.
Nem a quero qual ao céu ou ao profano.
É apenas a imagem simples, nua.
De uma fêmea com seus vinte e poucos anos.
A dama desses versos é real.
Tem carne, é bonita, às vezes chora
e passa pela luz de quem a ama.
E seria mais perfeito e sensual,
se num dia no despedaçar da aurora
eu a visse acordar em minha cama.
Sobre o soneto: Escrevi este soneto em 1999, quando fazia faculdade de filosofia. A dama citada era uma colega, que aliás, ficou só como musa mesmo.