Esse tipo de literatura popular é um tipo de poesia declamatória, no mesmo estilo da Literatura de cordel. Entretanto, Esse tipo de conteúdo é mais apreciado quando declamado, tanto quando o autor expressa opiniões típicas do sertanejo, quanto na “narrativa dos causos”. No nordeste, Principalmente no Ceará, destacam-se nomes como Bezerrão(Pai e Filho), Evaldo costa e o inesquecível Carneiro Portela.
O texto Pai Nutella X Pai Raiz e uma brincadeira que fiz, a pedido de um amigo, com minha própria experiência de menino crescido no sertão do Ceará e não precisa ser exatamente assim que penso.
Segue o texto:
Aproveite para ler também A origem dos bairros de Fortaleza, cordel de minha autoria.
Pai Nutella X pai Raiz: Texto causo de cordel
Eu me dirijo a vocês
Ilustríssimos doutores
Pois agora é minha vez
De me queixar aos senhores
É que eu tenho notado
E muito me preocupado
Com o que tá acontecendo
Crianças mal educadas
Arrogantes, mal criadas
Que já num tô entendendo
Porém eu tenho suspeita
De onde vem o problema
Fico olhando na espreita
Pra esse novo sistema
Dá pra ver que tá errado
Até mesmo comprovado
Que essa má educação
De menino mandar tudo
E deixar o pai miúdo
Não pode ser solução
Quando eu era criança
Era muito diferente
Mesmo em qualquer circunstância
Era eu obediente
Quando minha mãe olhava
Eu logo me aquietava
Nem precisava falar
Cumpria as ordens na hora
Corria caatinga a fora
Bastava ela ordenar
Isso porque nesse tempo
Os pais eram autoridade
Não havia contratempo
Com essa realidade
Não tinha lei da palmada
Nem estatuto nem nada
Nem conselho tutelar
Pai e mãe era raiz
Carcereiro e juiz
E norma complementar
Pai moderninho é “nutella”
Demora disciplinar
Fica falando balela
Manda o filho se assentar
É cheio de educação
E quando perde a razão
Fica todo arrependido
Não sabe o que o filho faz
Quando vai correr a trás
Já está tudo perdido
Nos tempos da minha infância
Tinha hora pra voltar
Não importava a distância
E nem tinha celular
Dava a hora, retornava
Só um doido que arriscava
Ao pai desobedecer
Pois além da reprimenda
Podia ter a encomenda
De ver a sola comer
Menino de hoje em dia
Não tem hora pra voltar
Sai de casa pra folia
Sem ter que nada explicar
Se junta pro rolezinho
E até mesmo sozinho
Pra arrumar confusão
O pai não sabe de nada
A mãe, que pobre coitada!
Não tem moral nem razão
Pai raiz dava ordenança
Explicava o resultado
Dizia “não” pra criança
Menino ouvia calado
E quem desobedecia
Logo nos couros sentia
a cinta, a corda ou a peia.
Melhor menino na sola
do que fora da escola
Então puxando cadeia
Já os pais de hoje em dia
não podem mais dizer não!
Vão dar ordem e amaciam,
enfraquecem a geração.
Crianças de talo fino
com tudo ficam mofinos
adoecem depressivos
não cultivam a resistência
ou desenvolvem doenças
ou então ficam agressivos
Fica aqui o meu protesto
pois isso já deu ruim
escrevo este manifesto
pra todos que pensam assim
que menino bem treinado
para o mundo preparado
tem força e delicadeza
pai que ama dá constância
cria filhos com sustância
e filhas como princesas.